“Quantas vezes você já leu uma revista feminina, acessou um site voltado para o público Gay ou assistiu uma série de TV para adolescentes?” rebateu Heidi Toffler, quando questionada sobre como identificar tendências de consumo, em uma recente matéria publicada na Revista Época Negócios. Heidi, respeitada futuróloga da atualidade, junto com seu companheiro, escritor e também futurólogo, Alvin Toffler, preconizaram no livro O Choque do Futuro, já na década de 70, a idéia de que “as mudanças no mundo seriam tantas e tão rápidas que o futuro chegaria mais cedo”.
Muitos se aventuram em predizer o futuro, mas pouquíssimos conseguem realmente prever algo que tenha valor prático e se confirme algum tempo mais tarde. Não é uma tarefa fácil e, talvez, para a realidade de mudanças constantes e inesperadas no mundo global, nem faça sentido ter esta “bola-de-cristal”. Para aqueles que trabalham com inteligência de mercado, analisar uma tendência pode e deve ser um processo mais simples e pragmático. O objetivo principal na análise deve sempre se concentrar na intenção de antever uma oportunidade de consumo, desejo e/ou comportamento de grupo de pessoas, ou público-alvo, que influenciará na geração de negócios para a empresa. O foco em questão está em antecipar a tendência que pode garantir produtos mais vendáveis e rentáveis à empresa.
Onde buscar estas tendências?
Segundo o sociólogo holandês Carl Rohde, da Universidade de Utrecht, o ser humano trabalha com duas constantes quando o assunto é comportamento. A primeira delas é que as pessoas têm a necessidade de pertencer a um grupo, e a segunda é o desejo de ser diferente dentro dele. Ou seja, não basta apenas fazer parte, é preciso ter identidade. Este processo de diferenciação, iniciado por um indivíduo, acaba virando tendência e rapidamente é copiado pelo resto do grupo que tem afinidades semelhantes. Na seqüência, outros públicos percebem a “novidade” e (re)criam a tendência ao seu estilo e gosto através de uma roupa, hábito alimentar, ou até mesmo de um dialeto peculiar que se propaga de tal forma a cair no gosto popular de maneira massificada e abrangente, tornando-se assim uma moda.
Identificar uma tendência e agir sob ela pode valer muito para as empresas. Conta-se que a AdeS conseguiu identificar, a partir de pesquisas, a tendência de que as pessoas desejam cada vez mais consumir produtos com aspectos e resultados mais saudáveis, e interpretou isto na sua linha de sucos de fruta à base de soja. Embora ainda seja novidade no Brasil, as pesquisas de tendências surgiram na Europa há cerca de 20 anos. Foi quando as empresas descobriram que o consumidor passou a ter comportamentos mais individualizados e, desta forma, ficou mais difícil estabelecer um padrão de consumo de massa.
Empresas especializadas em pesquisar tendências, como a Ipsos, vendem estudos que apontam o que é mais novo e vanguardista no mundo da moda, dos esportes, da internet, da gastronomia, etc. Agências de publicidade também mantêm seus núcleos de pesquisa de tendências. A Lew,Lara, por exemplo, mantém 350 caçadores de tendência, de diversas nacionalidades, espalhados por todo o planeta. Existem sites na Web que são verdadeiros painéis de tendências identificadas mundo afora, como o http://www.trendwatching.com/. Muitas vezes, nem tudo identificado como tendência parece fazer inicialmente sentido, mas com um pouco de senso crítico e interpretação é possível identificar o que será “cool”, novo, diferente.
Acessar este conteúdo de “revelações” não custa pouco! As empresas chegam a desembolsar entre R$ 20 mil e R$ 600 mil para acessar relatórios feitos de forma cientifica sobre tendências. O fato é que as marcas de sucesso não vendem apenas produtos, e sim estilos de vida que evoluem com o tempo e gerações de consumidores. Errar no desenvolvimento das novas linhas de produtos custará meses de trabalho e muito dinheiro perdido. Começar um projeto sem ter em mente os anseios deste “novo” consumidor é, sem dúvida, um tiro no escuro que os empresários relutam em dar.
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