Há séculos que mercados são criados ou destruídos a partir de inovações tecnológicas. Quem não se lembra do “pager” (soa até pré-histórico!) que perdeu sentido com a chegada dos celulares? E agora o i-Phone, que parece transformar o conceito e uso dos celulares. É um processo contínuo de mudanças e sem volta. À medida que estas (re)evoluções tecnológicas acontecem, mais rápida é a necessidade das empresas posicionarem seus produtos, serviços e negócios no novo cenário. A questão não é apenas de competitividade, mas essencialmente de sobrevivência.
Olhemos, por exemplo, o mercado mundial de câmeras digitais.
Apesar da tendência de crescimento em curto prazo, segundo estudos do IDC, espera-se que as vendas de câmeras digitais continuem fortes no curto prazo. Há, porém, uma previsão de desaceleração das vendas na medida em que o mercado parece entrar em sua fase de consolidação. O IDC ainda afirma que a Ásia-Pacífico mais as regiões classificadas como resto do mundo (excluindo Japão, Estados Unidos e Europa Ocidental) devem responder por 40% das vendas mundiais de câmeras em 2010. Recentemente alguns fabricantes menores já saíram do mercado e outros devem entregar os pontos nos próximos 18 meses. Ou seja, típica situação de mercados em fase de saturação.
As discussões sobre aparelhos celulares que substituem máquinas digitais são recorrentes. A pergunta que paira no ar para os usuários recai na questão se vale à pena ter dois aparelhos: um pra falar e tudo mais, e outro para re
gistrar imagens e momentos?
A barreira tecnológica da qualidade de imagem de fotos tirados no celular já foi resolvida. Já existem aparelhos que tem câmeras com alta resolução de até 8 mega pixel, como o modelo C905 Cybershot a ser lançado até o final do ano pela Sony-Ericsson no Brasil. E outros fabricantes de celulares já anunciaram seus modelos e tumultuam ainda mais o ambiente competitivo dos fabricantes de câmeras, que até agora mantinham vantagem quando o assunto era contagens de pixels mais elevadas e a imagens de melhor qualidade.
Neste turbilhão de mudança, as empresas buscam ganhar competitividade através de mais inovação e parcerias. Fabricantes globais de câmeras digitais unem forças com fabricantes de celulares. Por exemplo, a Kodak e Motorola se juntaram para oferecer o Motozine ZN5,
um aparelho que combina as funções de telefone com uma câmera de 5 MP da Kodak – disponível no mercado brasileiro até o final de ano. A idéia é que este e outros celulares Motorola/Kodak possam se conectar diretamente às impressoras da Kodak e aos quiosques varejistas para imprimir as imagens. As duas empresas esperam ainda trabalhar em conjunto com as operadoras no intuito de facilitar o processo de fotografar e imprimir imagens diretas do celular.
O fato é que entre ter um aparelho celular com múltiplas utilidades que custa um pouco mais e uma câmera digital legal que só tira boas fotos, não tenha dúvida que o consumidor vai optar pelo celular como objeto de consumo no próximo natal. Será que as nossas câmeras digitais, que já registraram momentos memoráveis, se transformarão no próximo “pager”?
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