Em um artigo publicado na FAST COMPANY, leitura que recomendo, o escritor Martin Kihn[1] narra a dificuldade de encontrar um caso “real” da técnica de War Game aplicada a negócios e que fosse de conhecimento de jornalistas, especialistas e/ou empresas americanas que pesquisou. A conclusão de Kihn foi enfática. Na prática, o uso de Business War Game para análise de cenários competitivos realmente ainda não é comum entre as empresas americanas.
Confesso que não fiz (ainda!) um levantamento junto a outros colegas e/ou especialistas em inteligência de mercado sobre a questão de uso (ou não) da técnica de War Game pelas empresas brasileiras como uma ferramenta de apoio no desenvolvimento de suas estratégias. Mas, algo me diz que a realidade aqui também não é diferente da relatada por Kihn nos E.U.A. Sei, que há consultorias brasileiras que citam exemplos de seus trabalhos na técnica – uma das que conheço é a Gomes & Braga. Mas, ainda assim, pesquisando em seu website pouco efetivamente se encontra sobre a experiência e uso de Business War Game.
De qualquer forma, isto não deve invalidar o interesse de sabermos o que é Business War Game e a que se aplica.
Segundo o Wikipedia, existem três escolas de pensamentos que definem as filosofias de uso e aplicação da técnica para análise competitiva. São elas:
- “Business is War” = BIW
- “Business is a Game” = BIG
- “Business is Business” = BIB
Dentre as três, a que deriva de experiência militar para formulação de estratégias para realidade de negócios é a escola de BIW. Neste caso, o Business War Game é uma simulação, dada determinada situação do ambiente competitivo da empresa, na qual os participantes assumem “perfis” de diferentes competidores. Uma série de rodadas de discussões, plano de ações e decisões estratégicas acontecem paralelamente entre os times, sem se saber o que o seu oponente planeja. Ao final de cada rodada se apresenta as “decisões e ações” das equipes e se analisa os impactos nos negócios de cada um, a partir das decisões tomadas por todos. O objetivo é recriar a dinâmica de um ambiente competitivo, onde os participantes são “treinados” em analisar possíveis e futuras movimentações de concorrentes no ambiente de negócio da empresa. Por esta razão, um exercício de um business war game deve sempre conter participantes que são gestores e executivos sênior da empresa.
A SCIP recomenda que as empresas devam buscar respostas no uso do Business War Game quando, por exemplo:
- Precisam identificar e entender novas formas de competição que a empresa ainda não está preparada;
- Desejam aumentar a efetividade da comunicação e interpretação do mercado entre seu time de negócios;
- Buscam ampliar o entendimento organizacional sobre o mercado competitivo a partir de uma perspectiva de “dentro-para-fora” da empresa.
Há sinais de que MBAs e treinamentos para executivos buscam formas de educar gestores usando simulações do ambiente competitivo, onde se combina o uso de teorias com a realidade prática do mundo real. O ponto crítico nestes tipos de exercícios é que poucos profissionais ainda dominam técnicas como a Business War Game da maneira que deveriam. E, desta forma, nem sempre os resultados desejados, para a aplicação prática de uma simulação competitiva, são alcançados. De todo modo, há expectativas que, gradativamente técnicas como esta, sejam mais usadas quando o assunto for inteligência de mercado.
Portanto, mesmo que não tenha lhe convencido sobre a efetividade da ferramenta de Business War Game, acho que nunca é tarde para se aprender fazendo… Então, por que não experimentar?
[1] Martin Kihn é autor do livro House of Lies: How Management Consultants Steal Your Watch and Then Tell You the Time publicado pela Warner Books em março de 2005 nos E.U.A.
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